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Bem da Cabeça

Uma estudante de Psicologia a tentar perceber isto tudo

Bem da Cabeça

Uma estudante de Psicologia a tentar perceber isto tudo

Doar vida

15.07.20
A pandemia global que atualmente atravessamos apresenta uma série de desafios pelo impacto inédito que tem na vida das pessoas. Ninguém previa a alteração de rotinas de trabalho, o recolher obrigatório, a escola que voltaria a ser dada pela televisão, as urgências que subitamente se esvaziariam, o uso de máscaras cirúrgicas em público que se tornaria comum.

O choque das pessoas perante um inimigo invisível originou mais do que uma mudança de hábitos, causou um grave distúrbio na saúde mental na população. De acordo com um estudo publicado pela revista científica The Lancet em abril, os britânicos demonstravam uma maior prevalência de sintomas de ansiedade, depressão, stress e preocupação geral com o isolamento social – apreensões estas mais fortes do que a possibilidade de contrair o vírus.

Enquanto meio mundo se fechava em casa, a outra metade via-se obrigada a continuar a deslocar-se ao seu local de trabalho, como é o caso dos profissionais de saúde. Os Hospitais não param por causa da pandemia, trabalham em esforço: todos os dias, para além do vírus, existem doenças para serem tratadas, acidentes para serem socorridos, operações para serem feitas. Todos os dias os hospitais portugueses precisam de, pelo menos, quinhentos litros de sangue para se abastecerem: a cada dois segundos uma pessoa precisa de uma transfusão de sangue. 

Devido à pandemia nos meses de março e abril registou-se uma quebra de quarenta por cento nas dádivas de sangue, o que se traduz numa perda de entre dez a quinze mil dadores. As recolhas em universidades e empresas foram canceladas, as unidades móveis de recolha paradas. O período de verão, por ser o escolhido para férias, é particularmente preocupante porque regista uma quebra generalizada de dadores. 

Estudos demonstram que atos de altruísmo, como doar sangue, reduzem o stress, melhoram o estado emocional, beneficiam a saúde física, eliminam sentimentos negativos, propiciam um sentimento de pertença e reduzem a sensação de isolamento. Pessoas que recuperaram do vírus podem, inclusive, doar plasma que pode ser utilizado por empresas farmacêuticas para desenvolver novos medicamentos de prevenção a este e outros vírus.

Torna-se, portanto, urgente mais do que nunca doar sangue. É um processo indolor que pode salvar vidas e produzir efeitos benéficos na saúde mental de quem doa