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Bem da Cabeça

Uma estudante de Psicologia a tentar perceber isto tudo

Bem da Cabeça

Uma estudante de Psicologia a tentar perceber isto tudo

Blog #842

30.06.20

Devia estar a escrever um trabalho de melhoria para entregar amanhã mas o nível de procrastinação está no máximo. Vou, pela milésima vez, fundar um blog.

Começar um blog é como abrir um caderno novo. Tem aquele cheirinho de papel guardado, cheio de promessas de grandes composições, agora é que é, vou ser disciplinada e escrever textos que realmente importam e que me vão deixar orgulhosa no futuro, vou atualizar o blog com frequência, vou ser pertinente, vou fazer a diferença, vou esquecer-me do blog?

Para quem tem no seu currículo uma infinidade de projetos começados e não terminados pode ser destruidor para a sua saúde mental desapaixonar-se de um projeto. Numa sociedade que atribui valor à capacidade produtiva do indivíduo, não é incomum perguntarmo-nos: quem sou eu se não as coisas que faço?

É importante perceber que somos mais do que um trabalho, do que um projeto, do que uma faculdade. E que conseguimos ultrapassar metas, sem desistir a meio daquilo que nos propusemos atingir: quantas vezes nos levantámos da cama quando não nos apetecia? Quantos familiares ajudámos quando estávamos preocupados com questões de trabalho? Quantos amigos reconfortámos quando nós mesmos estávamos um caos?

A empatia, a solidariedade e a interajuda são deveres positivos que, apesar de pertencerem ao domínio pró-social da moralidade e terem consequências mais indiretas, deveriam ser reforçados, encorajados e celebrados – e vistos como componentes importantes do que é ser alguém.

O meu avô costuma dizer que cada um dá o que tem. Não devemos penalizar aqueles que não têm mais para dar, e sim abraçar a neurodiversidade e valorizar as caraterísticas individuais de cada pessoa. Construimos uma melhor sociedade se soubermos trabalhar com as diferenças em vez de as colocar de lado.

Mesmo que me esqueça deste blog, não morre ninguém. Há que relativizar. Todos os dias milhões de pessoas criam blogs (e podcasts) e todos os dias milhões de pessoas deixam de produzir para blogs (e podcasts). Eu não sou este blog nem preciso dele para viver. Mesmo que desista de escrever aqui, o mundo continua a girar. E eu continuo a ter dias bons.

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